Quando descubro que sou um egoísta.
Descubro que sou um egoísta quando percebo que nunca dou a frente para ninguém no trânsito, e ainda xingo quem dá.
Ou quando sento num ônibus, e, ao ver uma senhora, ou uma velhinha entrar pela porta fico olhando fixamente para o outro lado, fingindo estar distraído para que outra pessoa possa levantar e dar o lugar
Descubro que sou um egoísta quando percebo que gasto mais tempo no cinema e no teatro, ou na internet ou futebol, do que passeando com a minha mãe. E ainda reclamo dizendo que ela não me dá tempo.
Percebo-me um egoísta quando estou disposto a gastar dois mil reais numa televisão nova de LCD para a sala, mas não empregaria duzentos reais em um presente para alguem.
Eu me descubro um completo egoísta quando vejo que estou trocando minha família pelo trabalho, consumindo todo o tempo necessário para ter alguns poucos reais a mais no final do mês. Como se a minha vida fosse um enorme “Banco Imobiliário” e eu estivesse competindo para ganhar a maior quantia.
Percebo que fui um tremendo egoísta, quando diante da morte, vejo que minha vida não teve sentido algum, e que minha ausência também não seria sentida por qualquer um. Serei um completo egoísta ao saber que gastei todo o meu tempo e força, juventude e vontade, simplesmente para esvaí-los ao léu, frente ao vento de uma medíocre existência.
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